


DVD "Vinícius" é relançado neste mês
Para comemorar os 50 anos da bossa nova, comemorados em 2008, será relançado neste mês o DVD "Vinícius", um documentário de 2005 feito por Miguel Faria Jr. sobre o poeta e compositor Vinícius de Moraes (1913-1980). São disponibilizadas versão single e duplo.
O filme traz depoimentos comoventes e curiosos de amigos e grandes personalidades brasileiras que conheceram o "Poetinha" (apelido de Vinícius), como Caetano Veloso, Ferreira Gullar, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tônia Carrero, Toquinho, Carlos Lyra, Antônio Candido, Edu Lobo, Francis Hime e Miúcha.
O longa traz ainda interpretações dos atores Camila Morgado e Ricardo Blat. Vinícius de Moraes é autor da clássica "Chega de Saudade", canção que marca o começo da bossa nova, com a gravação feita por Elizeth Cardoso e João Gilberto, em 1958.
O show registrado no DVD traz grandes nomes da música popular brasileira, interpretando canções de Vinícius de Moraes. São eles: Adriana Calcanhoto, Olívia Byington, Zeca Pagodinho, Yamandú Costa, Renato Braz, Mônica Salmaso, Mariana de Maraes, Sergio Cassiano, MS Bom, Nego Jeif, Lerov e Mart´Nália.
Fonte: Folha Ilustrada
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por Daisy
* 4:18 PM
Rambo 4, novo filme de Sylvester Stalone, tem maniqueísmo e xenofobia de sobra
Rambo 4, que estréia amanhã em todo o Brasil, traz o herói John Rambo (Sylvester Stallone) de volta à tela grande depois de praticamente duas décadas de ausência. Ele não mudou. Continua sendo o exército de um homem só. Numa das seqüências do filme, por exemplo, Rambo e o bando de mercenários ao qual foi levado a se aliar (para resgatar um grupo de prisioneiros no interior da Birmânia) enfrentam uma divisão inteira de militares. Os tais mercenários matam, digamos, uns 10 inimigos. Rambo, sozinho, elimina as dezenas de soldados restantes – exatamente o que fazia há anos, e que agradava, e muito, aos espectadores sedentos de sangue.
Aliás, sangue é o que não falta. Se mudou alguma coisa, é que antes era sangue cenográfico, jorrando de cabeças e membros cortados ou corpos perfurados, construídos graças a efeitos mecânicos. Hoje, a moda são os efeitos de computação gráfica, tanto para o sangue quanto para a maioria das perfurações e amputações. O resultado é paradoxal: mais realista, menos natural. Parece mais verdadeiro, mas menos possível, na relação quase obscena entre a violência e a câmera.
A ideologia também não mudou. O mundo de John Rambo continua com complexo de preto-e-branco. Do lado do herói, até os caras mais cheios de defeitos são bons. Do lado dos bandidos, todo mundo é assassino, estuprador, ou coisa parecida. Funciona num filme para crianças; demonstra bem a idade mental dos fãs. Se fosse o maniqueísmo, ainda dava para engolir. Mas a xenofobia também continua. No mesmo acampamento estão presos dúzias de birmanianos. Algumas das moças estão sendo estupradas pelos bandidos. Um dos rapazes também. Nossos heróis não estão nem aí. Rambo e seus parceiros atacam os inimigos para resgatar os tais prisioneiros, uns pobres- coitados bonzinhos, que só estão na Birmânia por seu espírito altruísta e humanitário. Só eles são resgatados. As vítimas birmanianas não são seres humanos, nos lembra o filme: só estão lá como efeito dramático, para que saibamos como os inimigos são cruéis.
É impossível não comparar o retorno de Rambo à ressurreição recente de outra personagem que Sylvester Stallone celebrizou, Rocky Balboa. Rambo 4 talvez seja ainda pior que os dois primeiros filmes da série (o terceiro foi o fim da picada) pela vergonha que sente de seus defeitos, a maneira como tenta esconder as situações de inverossimilhança, como tenta dar sentimento a um herói que não precisa deles. Rocky Balboa funcionou porque Stallone assumiu integralmente o que tinha a dizer pela boca da personagem. No fim das contas, Rocky é uma boa criação, só precisa de verdade para nos convencer, enquanto John Rambo é algo inconsistente, que quanto mais se mostra, mais repete suas falhas.
Fonte: Portal Uai
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* 10:46 AM
Diretor de 'Piaf' prepara nova ''comédia dramática surrealista'
Após o sucesso do filme francês "Piaf, um Hino ao Amor", que ganhou um Oscar (de melhor atriz, para Marion Cotillard), o diretor Olivier Dahan já se apressa para preparar seu novo longa-metragem: "My Own Love Song", um road movie com Sharon Stone e Forest Whitaker, rodado nos Estados Unidos.
Dahan já estaria pronto para partir em direção aos estados de Kansas e Louisiana em busca de locações. A nova produção será feita em inglês e o roteiro vai sair de seu próprio punho.
A intenção do diretor francês é dar à atriz norte-americana Sharon Stone o papel de uma ex-cantora agora em cadeira de rodas. Já Whitaker faria o papel de um bombeiro que vai parar num hospital após um acidente de trabalho.
A Legende Films, sociedade de Alain Goldman, deve ficar a cargo da produção desta "comédia dramática e surrealista", como definiu o próprio Dahan.
Fonte: Portal Uai
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* 10:21 AM
Os irmãos Coen são os grandes vencedores do Oscar 2008
'Onde os Fracos Não Têm Vez' ganhou como Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante
Teresa Ribeiro, com Marina Ramos e Andréia Sadi, do estadao.com.br
Os irmãos Coen foram os grandes vencedoras da 80.ª cerimônia do Oscar, conquistando quatro Oscar com seu filme Onde Os Fracos Não Têm Vez, um dos favoritos. Levou os troféus de Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado, trabalhos assinados pela dupla e rendeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante ao espanhol Javier Bardem. A surpresa da cerimônia ficou por conta da inesperada escolha dos prêmios de melhor atriz e atriz coadjuvante, além, é claro, do Oscar de roteiro original a 'Juno'.
As apostas se confirmaram no caso dos atores. Bardem era o preferido dos críticos, assim como Daniel Day-Lewis, que levou o Oscar de Melhor Ator, era tido como imbatível com seu papel de magnata do petróleo em Sangue Negro. O filme, que competia com o mesmo número de indicações que Onde os Fracos Não Têm Vez, oito, ficou apenas com dois troféus, o de ator e de Fotografia, para Robert Elswit.
Com três troféus, em categorias técnicas, o segundo maior vencedor da noite foi O Ultimato Bourne, com os prêmios de Melhor Edição de Som, Mixagem de Som e Montagem.
O Oscar de Melhor Animação foi para Ratatouille, como já era esperado. O troféu de Efeitos Especiais, categoria em que Transformers era favorito, ficou com A Bússola de Ouro. O prêmio de Figurino, o primeiro da noite, foi dado ao trabalho realizado por Alexandra Byrne em Elizabeth - A Era de Ouro, protagonizado por Cate Blanchett.
Já Desejo e Reparação, que Joe Wright adaptou do romance de Ewan McEwan, indicado em sete categorias, levou apenas o prêmio de Melhor Trilha Sonora, concedido a Dario Marianelli.
A cerimônia apresentada por Jon Stewart foi leve e divertida, com freqüentes referências à política e ao período de campanha para as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Ao comentar o papel de Julie Christie, como uma mulher vítima do Mal de Alzheimer em Longe Dela, disse que o filme era sobre uma mulher que se esqueceu do próprio marido, "uma inspiração para Hillary Clinton".
Atrizes
As mulheres causaram as maiores surpresas da cerimônia, com os prêmios de Melhor Atriz, para a francesa Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor), Melhor Atriz Coadjuvante, para Tilda Swinton (Conduta de Risco) e Roteiro Original para Diablo Cody, por Juno.
O prêmio de Melhor Atriz era tido como certo para a veterana Julie Christie. Competiam na categoria pesos pesados como Cate Blanchett e Laura Linney, mas a escolha da Academia foi para o brilhante desempenho de Marion como a grande cantoras francesas, Edith Piaf. Marion saiu aos prantos, após recebeu seu troféu de Forrest Whitaker e agradecer emocionada "é verdade, existem anjos nessa cidade", disse. O filme Piaf ficou ainda com o prêmio de melhor maquiagem, pela transfiguração promovida na atriz.
A crítica apontava Cate Blanchett interpretando Bob Dylan como a melhor entre as atrizes que disputavam o prêmio de coadjuvante, mas foi a enigmática atriz britânica Tilda Swinton, com seu o papel de uma executiva assassina em Conduta de Risco que conquistou a estatueta e fez a maior expressão de espanto da noite.
Além de ganhar o Oscar de Melhor Roteiro Original, a ex-stripper Diablo Cody vai marcar a festa também por subir ao palco um vestido longo de oncinha com uma fenda até o alto da coxa e sua tatuagem colorida no braço direito. Diablo Cody é o pseudônimo de Brooke Busey, 26 anos, que trocou a carreira de stripper pela de roteirista de cinema.
Uma das melhores brincadeiras do humorista Jon Stewart, o apresentador da festa, foi com as atrizes grávidas. Primeiro ele disse que haviam duas grávidas na festa, Jessica Alba e Cate Blanchett, dizendo que noite ainda era uma criança e Jack Nicholson estava lá, "então vamos recalcular no final da noite", disse Stewart. Depois de um intervalo ele se lembrou de Nicole Kidman, também grávida, e tirou um envolope do bolso brincando e o bebê vai para... Angelina Jolie ganhou o bebê.
Micos da Festa
Os micos da festa foram os escorregões que vários astros levaram ao chegarem perto do microfone e um fato inédito na história do Oscar: a volta de Marketa Irglova ao palco após o intervalo para concluir seu discurso de agradecimento pelo Oscar de melhor canção Falling Slowly, do musical irlandês Once, que fez em parceria com Glen Hansard. Marketa queria dizer que o prêmio era uma "vitória para os músicos independentes. É um prova que nada é impossível. Essa canção foi baseada em esperança e a esperança não morre nunca", finalizou. O ator John Travolta entrou dançando no palco para entregar o Oscar da dupla.
História
O ator George Clooney apresentou uma homenagem aos 80 anos do Oscar. Ele lembrou o início do prêmio e brincou com a duração da festa. "O evento cresceu e virou um evento mundial com milhares de espectadores. Sempre vencedores inesperáveis, musicais, alguns erros, mas alguma coisa é consistente: é longo e imprevisível", disse, arrancando risos da platéia.
Em seguida, foi apresentado um vídeo com os melhores momentos da festa mais importante do cinema. Com My Heart Will Go On, de Celine Dion, o filme mostrou Cher, Jack Nicholson, Jane Fonda, Russel Crowe, Audrey Hepburn e grandes astros da tela.
Jack Nicholson também participou das homenagens ao aniversário do prêmio lembrando os 79 filmes vencedores que "são conhecidos simplesmente como 'Melhor Filme' ". Cartazes e cenas mais famosas de cada vencedor foram exibidas em telão.
O Oscar honorário do ano foi concedido ao diretor de Arte Robert Doyle, que recebeu das mãos de Nicole Kidman o troféu por suas inestimáveis contribuições em filmes como Intriga Internacional (1959), Os Pássaros (1963), A Sombra de uma Dúvida (1943), Um Violinista no Telhado (1971), A Recruta Benjamin (1980).
Fonte: Estadão
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* 4:53 PM
Estúdios promovem "campanha eleitoral" para ganhar o Oscar
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ROB WOOLLARD
da France Presse, em Hollywood
Ganhar o Oscar é apenas a etapa final de uma árdua campanha de relações públicas empreendida pelos estúdios de cinema, ao melhor estilo da corrida eleitoral americana.
Todos os anos, os estúdios de Hollywood gastam milhões de dólares para promover suas estrelas e seus filmes junto à imprensa especializada e aos 5.829 eleitores da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, profissionais do cinema que elegem os ganhadores das estatuetas douradas mais cobiçadas pela indústria do entretenimento.
Mas os responsáveis pelos departamentos de relações públicas empenhados nessa tarefa têm que respeitar algumas regras da Academia, ditadas precisamente para evitar qualquer suspeita de corrupção e, por isso, é terminantemente proibido enviar qualquer material aos eleitores de forma pessoal e as cópias de DVD devem estar embaladas de forma que não se veja qualquer tipo de material promocional.
Também é proibido organizar sessões de perguntas e respostas entre os eleitores da Academia e os indicados, para evitar qualquer tentativa de influência de voto. Quem viola esses princípios se expõem, em teoria, a sanções que podem levar até à exclusão do Oscar.
No entanto, na prática, os estúdios sempre dão um jeitinho para alcançar seus objetivos, segundo os especialistas do setor: organizam recepções em homenagem aos indicados aos Oscar, onde, como que por acaso, membros da Academia figuram entre os convidados.
"Trata-se de uma área cinzenta. Porque a Academia não pode dizer: 'Ei! Vocês não podem ir a essa festa!'", explicou Pete Hammond, especialista na premiação do Oscar e crítico de cinema da publicação masculina "Maxim".
"Se fica muito evidente que organizam estes eventos para fazer campanha, então serão punidos. Mas isso já acontece há algum tempo e ninguém saiu prejudicado", afirmou Hammond.
Os estúdios também encontram o subterfúgio ao organizar foros com os sindicatos de profissionais em Hollywood, que fazem parte dos eleitores. Por exemplo, o Sindicato dos Atores (SAG), cujo peso dentro da Academia é importante, representa 25% dos eleitores.
Outras empresas utilizam a internet para promover seus protegidos, como o estúdio Weinstein, que este ano utilizou o site de vídeos YouTube para mostrar a cena de Cate Blanchett em "Não Estou Lá", o filme onde interpreta um jovem Bob Dylan e que lhe valeu uma das duas indicações ao Oscar este ano.
"É uma forma muito astuta de mostrar às pessoas o desempenho de Blanchett, apesar de ela não ser vista nos primeiros 40 minutos do filme", enfatizou Hammond.
Para o indicado, o jogo de relações públicas tem muito a ver com seu êxito, enfatizou, por sua parte, Jeff Bock, analista da empresa especializada em bilheteria, Exhibitor Relations.
Se as vendas de bilheteria podem aumentar depois das indicações, o impacto depois da entrega de um Oscar recai sobre a venda e aluguel de DVDs.
"As indicações fazem aumentar a bilheteria durante um mês e meio, mas, em termos de DVD, a venda dispara, principalmente para o título que levar o Oscar de melhor filme", afirma Bock.
"Colocar a imagem do Oscar na caixa do DVD significa até 30 milhões de dólares a mais de lucro", afirmou o especialista.
Fonte: Folha Ilustratada
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* 4:39 PM
'Tropa de elite' leva o Urso de Ouro em Berlim
Filme de José Padilha fatura o prêmio máximo no festival; 'Sangue Negro' leva Urso de Prata
O filme "Tropa de Elite", de José Padilha, foi premiado neste sábado no Festival de Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme, durante a cerimônia de encerramento da 58ª edição da Berlinale.
O documentário "Standard Operating Procedure", de Errol Morris, sobre as torturas a presos iraquianos em Abu Ghraib, ganhou o Urso de Prata.
O diretor de Tropa de Elite, José Padilha, recebe o Urso de Ouro do Festival de Berlim
O filme, o primeiro longa-metragem de ficção de Padilha, é inspirado no livro "Elite da Tropa", que narra cenas de violência e corrupção policial no Rio de Janeiro.
"É difícil expressar sentimientos em qualquer língua. Costa-Gavras é um herói para todos na América Latina, por todos os filmes que fez", disse o diretor brasileiro ao receber o prêmio das mãos do presidente do júri, o diretor franco-grego.
Ele concorria com vinte filmes, e a sua receptividade na crítica especializada durante o Festival foi bastante controversa. Gerou desde críticas --principalmente ao seu excesso de belicismo e tom fascista-- quando elogios --sendo até chamado de "o novo Cidade de Deus."
"Tropa de Elite" ainda teve que superar problemas técnicos durante o Festival. O filme foi exibido no original em português com legendas em alemão --o normal são legendas em inglês. Por causa disto, os jurados e o presidente do júri, o cineasta grego Costa-Gavras, tiveram que usar fones de ouvido, com narração em voz feminina.
Na ocasião da exibição do filme em Berlim, Padilha disse acreditar que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam "Tropa de Elite" desde a sua estréia no Brasil.
Sobre as resenhas publicadas, o diretor afirmou: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso".
Quando falou da reação a "Tropa de Elite" no Brasil, o cineasta disse durante o Festival: "Temos uma polícia muito corrupta e muito violenta. A população odeia a polícia, com boas razões. Acho que parte do público tomou o filme como uma vingança contra a polícia, o que foi difícil, porque vingança não é um bom sentimento."
Ressaltando que "tudo o que está no filme, de fato, acontece", Padilha mencionou os traficantes brasileiros como violentos e cruéis. Para ele "já é hora de acabar com essas categorizações entre direita e esquerda, porque o que interessa é o que está acontecendo".
Fonte: Folha Online
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* 11:40 AM
Turnê de grupo japonês de teatro de bonecos no Brasil começa hoje
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da Folha Online
Começa nesta quinta-feira a pequena turnê da mais antiga companhia de teatro de bonecos do Japão --a Yukiza-- pelo Brasil. O grupo começa com apresentações em Santos, no litoral de São Paulo, e depois segue para Rio, Brasília e São Paulo, onde encerra a turnê no próximo dia 28. O espetáculo integra a agenda de comemorações pelo centenário da imigração japonesa no Brasil, comemorado neste ano.
Criada há mais de 370 anos, a companhia usa marionetes criadas durante o período Edo (1603-1868) para contar duas histórias cujos títulos traduzidos são "A Casa de Tsuna" e "A Vila Nozaki".
Conforme a Fundação Japão, 14 integrantes da companhia virão ao Brasil. Destes, oito são manipuladores das marionetes. Os bonecos têm, em média, 60 centímetros de altura. Há também bonecos pequenos, de apenas 5 centímetros, como o Issunboshi (que quer dizer o menino polegar, em português).
Para movimentar os maiores, os artistas chegam a conectar cerca de 20 fios a diversas partes de seu corpo. Com esse sistema, eles conseguem reproduzir movimentos como de respiração, o de virar o rosto, o de abaixar a cabeça ou o de projetar o queixo para frente.
Em "A Casa de Tsuna", um líder de um clã de guerreiros do século 10 se tranca em casa por medo de um demônio retornar para buscar o braço que ele cortara. O demônio chega à casa disfarçado como uma tia de Tsuna e tenta convencê-lo a abrir a porta. Já em "A Vila Nozaki", a trama retrata a luta de dois jovens para ficar juntos, a despeito dos planos de suas famílias.
Fonte: uol
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* 10:18 AM
Festival de Berlim procura um sucesso em meio a filmes fracos
Até o momento, favorito ao Urso de Ouro é o oscarizável "Sangue negro".
Único brasileiro em competição, "Tropa de elite" dividiu a crítica internacional.
Os festivais de cinema se orgulham de descobrir jóias cinematográficas de todo o mundo que, de outro modo, o público nunca teria acesso.
O fato de que, na metade do Festival de Cinema de Berlim deste ano, o filme mais cotado para prêmios seja uma grande produção de Hollywood que já recebeu oito indicações ao Oscar é um sinal desanimador, dizem alguns críticos.
Já foram vistos 11 dos 21 filmes da competição principal. E "Sangue negro", com Daniel Day-Lewis no papel de empreendedor petrolífero nos Estados Unidos no início do século 20, é o favorito ao Urso de Ouro, o prêmio de melhor filme.
Para Lee Marshall, crítico de cinema da revista "Screen International", "é ótimo ter um filme indicado ao Oscar na competição, mas isso contraria a missão de descoberta dos festivais".
Jay Weissberg, do "Variety", concordou, dizendo que está faltando ao festival deste ano a agitação e o dinamismo de outros festivais e outros anos.
Surpresas e decepções
Críticos observaram que vários dos 21 filmes da competição não estão fazendo sua estréia mundial, o que significa que a curiosidade em torno deles já acabou. E, dos que foram exibidos pela primeira vez, muitos foram decepcionantes, segundo eles.
"Julia", do francês Erick Zonca, foi mal recebido pela crítica, apesar da atuação forte de Tilda Swinton, e "Gardens of the night", do britânico Damian Harris, também teve recepção negativa.
Pelo lado positivo, "Lake Tahoe", história bem-humorada sobre um adolescente mexicano, está entre os favoritos para os prêmios, e "Elegy", estrelado por Penélope Cruz e Ben Kingsley, também foi bem recebido.
E tanto "The song of the sparrows", do iraniano Majid Majidi, sobre um homem cujo materialismo ameaça sua felicidade, e "The sparrow", de Johnnie To, de Hong Kong, trouxeram um toque de humor para um conjunto de filmes de modo geral sérios.
O único brasileiro em competição, "Tropa de elite", dividiu os críticos -- um disse que era "um filme de recrutamento de assassinos fascistas", e outro afirmou que era um trabalho "inteligente, energético e assistível".
O clima de relativo desânimo pode mudar nesta quarta-feira (13), com a chegada de Madonna para exibir sua estréia como diretora, "Filth and wisdom", que não faz parte da competição.
Fonte: G1 - Globo.com
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* 7:03 PM
Dans Paris
Jonathan, ou seria nesse momento o próprio Louis Garrel?, interrompe temporariamente seu passeio pela noite parisiense em frente a fachada de um cinema. Vemos dois cartazes, naquele típico formato gigantesco dos cartazes cinematográficos franceses, em escala impossível de se ignorar. Os cartazes na França são, como os filmes que anunciam, para serem vistos. O primeiro é de “Os Últimos Dias” (Last Days, Gus Van Sant), o segundo é de “Uma História de Violência” (A History of Violence, David Cronenberg). Jonathan/Louis vira-se para a câmera e nos sorri ironicamente, como se houvesse uma piada a ser interpretada, reafirmando conosco – sim, os espectadores - a cumplicidade que ele estabelece logo no início do filme, aproveitando-se desse momento onde o filme ainda não é nada, logo tudo pode ser feito dele: reconhecendo a existência da platéia, quebrando a quarta parede e se auto intitulando narrador de “Dans Paris”, apenas para renegar essa função, retornar a inconsciência do futuro e dos personagens que ainda conhecerá, e nada efetivamente narrar em off, só se pode construir conhecimento tendo base em tudo aquilo que foi visto antes no filme.
Onde e como os dois filmes se relacionam? É preciso, como Jonathan, como Louis Garrel, como Christophe Honoré, que o espectador saia do universo diegético de “Dans Paris” para encontrar a resposta. Seria porque Garrel já trabalhara com o Michael Pitt que ilustra o cartaz de “Os Últimos Dias” em “Os Sonhadores” (The Dreamers, Bernardo Bertolucci), aliás, filme já ironizado em outra obra estrelada pelo mesmo Garrel, “Amantes Constantes” (Les Amants Reguliérs, Phillippe Garrel)? E por que “Uma História de Violência”, um dos maiores sucessos de Cronenberg e também um de seus filmes menos característicos? Seria porque, assim como “Os Últimos Dias” é fundamentado num pano de fundo rock ‘n roll e “Uma História da Violência”, adaptação da graphic novel de John Wagner e Vince Locke, fundamenta-se no pulp, “Dans Paris” estaria bebendo do mesmo gênero de influências e referências pop que nortearam a gramática audiovisual (a música, os quadrinhos) da Nouvelle Vague cinematográfica, citada explicitamente através da montagem, dos zooms, etc.? Seria porque, graças à magia do cinema, obras distintas possam ser reunidas num único espaço e transcorrerem ao mesmo tempo, fazendo dos multiplexes um estranho espaço de sobreposição (adicione mais um “sobre” à palavra “sobreposição” a cada sala que o multiplex abrigar: sobresobresobresobreposição...). Quando Jonathan reconhece os filmes enquanto filmes – e a nós enquanto espectadores - é como se “Dans Paris” deixasse de sê-lo. Se nesse pequeno momento, Louis Garrel estiver realmente aludindo ao seu companheiro de cena no filme de Bertolucci e nos olhando, o personagem Jonathan passa a viver nesse estranho interespaço cinematográfico ao qual toda a Paris do filme é suspensa. E se Jonathan for apenas Jonathan, para o espectador conseguir montar a relação entre os dois filmes citados, deverá recorrer a toda ação que antecede essa cena tardia (e, por que não recorrer também às cenas posteriores?) a qual tivemos o privilégio de poder acompanhar, não com a liberdade que gostaríamos, mas com a perspectiva que jamais teríamos.
Ao que se estabeleceu um elogio padrão na análise cinematográfica corrente pelo potencial de absorção das obras cinematográficas, “Dans Paris” faz o movimento inverso de ampliar-se para além da tela, vazar para a vida, para as poltronas do cinema, além das portas de saída. Sim, é um filme que afasta-se do écran, mas sem que isto implique alienação. Uma espécie de filme-vírgula, filme-hífen, filme que existe após o projetor, mas vive antes das imagens projetadas, “Dans Paris” localiza-se na rachadura entre o filme ba(l)lade de Gus Van Sant e o neo-pulp-noir de Cronenberg. “Os Últimos Dias” = música. “Uma História da Violência” = letra. Em si, a narrativa cindida de “Dans Paris” estrutura-se em cima dessas mesmas diretrizes: o relacionamento e rompimento rock ‘n roll de Paul (Romain Duris) com Anna (Joana Preiss), desenrolados pelo diretor com a potência e brevidade temporal de uma faixa punk, e o recheio do filme: o retorno de Paul à casa do pacato pai Mirko (Guy Marchand) e do irmão irresponsável Jonathan, em plena véspera de Natal. Deprimido, Paul abre mão de se recompor enquanto Jonathan, ao invés de solidarizar-se com a dor de terceiros, parte pelas ruas de Paris para recolher os frutos de seus modos descompromissados. Personalidades opostas abrigadas sob o mesmo teto como filmes de estilos diferentes num mesmo multiplex. Paul e Jonathan compartilham da mesma linhagem. Diferentes que sejam, “Os Últimos Dias” e “Uma História de Violência” são ambos cinema e sua “linhagem” é o que justamente permite essa reunião, essa ligação improvável. “Dans Paris” é Jonathan entre os dois cartazes, o terceiro fator extraordinário das correlações estabelecidas entre os filmes ali anunciados.
O caso Christophe Honoré é um a ser analisado cautelosamente. Escritor, autor teatral e roteirista cinematográfico, Honoré aventurou-se na realização cinematográfica após um período contribuindo com textos e ensaios para várias publicações cinematográficas, inclusive a notória “Cahiers du Cinema”. Internacionalmente rechaçado pelo seu segundo filme, o interessante “Ma Mère”, adaptação do romance do polêmico Georges Bataille (e que rendeu o prêmio de pior atriz da França para - entre todas! – Isabelle Huppert), Honoré retornou às funções com um cinema infinitamente mais cândido do que aquele que vinha defendendo até então. Explico: desde que assisti a entrevista que acompanha o DVD americano de “Ma Mère” venho tentando identificar que cinema é esse que ele declara ter defendido nos textos cinematográficos de sua autoria através dos filmes que ele vem realizando e contribuindo. Trata-se de uma situação mais rica do que a impressão primeira que se tem de “Ma Mère” deixa transparecer: a pecha que Honoré nutre pelo scandale, o confrontacional, o choque, é registrada com os cacoetes e traquinagens lingüísticas de Jean-Luc Godard, François Truffaut & Cia., desenvolvendo as perturbações psicossexuais características do cinema contemporâneo vanguardista sobre uma Nouvelle Vague que lhe serve de tema e cenário de fundo. Precisamos, portanto, percebê-lo com alguma desconfiança. É uma questão totalmente diferente quando seja Godard, seja Raoul Ruiz, seja Tarantino, apropriam-se de um cinema geralmente desprezado pela crítica intelectual e exploram seu potencial kinético de análise em seus filmes, evidenciando e elevando suas referências para um patamar artístico muito maior do que o óbvio; convenhamos que é muito mais fácil para um crítico – ainda mais de onde ele particularmente é oriundo – escolher, entre todas as escolhas possíveis!, a Nouvelle Vague como linha de pesquisa ao aventurar-se na direção. Não estamos falando de um cinema ignorado academicamente ou rechaçado intelectualmente, um que apresentaria maior risco de ridicularização e escrutínio ao se tornar objeto de um estudo devidamente sóbrio, mas de um movimento cinematográfico extensamente defendido, devidamente explorado e, sobretudo, bem-visto o bastante para dispensar maiores debates entre os teóricos de cinema sobre o seu valor. Praticamente unanimidade, pensaríamos que talvez Honoré estivesse colocando as características mais lugar-comum da Nouvelle Vague à prova ao casá-las com elementos de gosto duvidoso em “Ma Mère” (um filme bem melhor após a recepção imediata; no mínimo, um que apresenta de forma potente a influência infernal do turismo sobre a decadência dos habitantes de lugares paradisíacos), mas não há nem um pingo de ironia em sua abordagem. Há, inclusive, completa reverência: momentos tirados diretamente de “Uma Mulher é Uma Mulher” e de “O Demônio das Onze Horas” (E duas vezes! Ainda que o momento em que o filme torna-se um musical, digam, deva mais a Démy – “Les Chansons d'Amour” viria a confirmar isso) podem ser facilmente identificados em “Dans Paris” por qualquer estudante de 1° período de Cinema. Fato é que foram os tais elementos de gosto duvidoso que acabaram sendo banidos de sua estratégia cinematográfica, levando-nos a crer que Honoré seja fundamentalmente um saudosista, um emulador customizado pela alfaiataria da intelectualidade cinematográfica francesa, sedenta por eleger um novo auteur nacional a tomar o cinema mundial de assalto.
O auteurismo de Honoré é uma mediação entre suas capacidades críticas e teóricas (na escrita), e sua capacidade efetivamente realizadora (por trás das câmeras). Nenhuma novidade aqui – a própria “Cahiers”, durante seus anos de Frente Revolucionária Cultural, gerou e patrocinou escritores e pensadores políticos que arriscavam-se na realização cinematográfica, e cineastas que abandonavam as câmeras para participar ativamente das marchas de protesto. Mas, então, tratava-se de um cinema com algo a dizer, onde “algo a dizer” subentende-se “dogmatizar”. “Dans Paris”, no entanto e felizmente, existe somente por causa desse espaço de mediação, quando o filme já se trata de uma mediação em si: aquela entre Jonathan e Paul, relação a qual também mediam/interferem Mirko, as mulheres do filme (a mãe, a ex-namorada de Paul, todas as namoradas de Jonathan – em especial, Alice – e a irmã morta) e o próprio Honoré, todos com diferentes graus de sucesso. O que quer dizer que fracassam, uma vez que todos operam por signos distintos.
1) Mirko, o pai, acolhe Paul de sua breve fuga no campo, deprimido, em seu pequeno apartamento em Paris. Paul toma conta do quarto de Jonathan, que passa a dormir na sala. A posição natural do pai é intermediária, os filhos seus dois extremos. Mirko tenta decifrar Paul na sua tristeza e já desistiu de decifrar os modos irresponsáveis de Jonathan. Incapaz de dobrá-los singularmente, Mirko pede a Jonathan que tente acudir Paul. Os métodos de Jonathan, (que se consistem em não alterar uma vírgula de seu comportamento cotidiano padrão, ou seja, errático) diferem do que Mirko concebe por “estender uma mão”, sem entender a peculiaridade da dinâmica entre os dois irmãos.
Em seguida, a mãe os visitará, pela primeira vez em vários anos, para averiguar o tal estado de Paul. Mirko tenta minar as esperanças da ex-mulher de tentar penetrar na depressão de Paul, antes que ela aventure-se a entrar no quarto; ele saberia dizer, uma vez que todas suas iniciativas foram respondidas com monossílabos desanimados. Não demora muito, mãe e filho estão rindo dentro do quarto. Como assim? Obviamente, Mirko ofende-se: ali estava seu filho, respondendo muito mais à mãe do que àquele que zelou por ele quando a mesma resolveu abandonar a família para envolver-se com outro homem.
Mas, ah, como nós nos apoiamos nessas expressões definitivas de emoções facilmente interpretadas. Se Paul e a mãe riem intimamente, isso não significa em momento nenhum que Paul a prefere em detrimento do pai, pelo contrário. A vinda da mãe não lhe está fazendo melhor do que a canja sendo arduamente preparada na cozinha, como os risos, antes inexistentes, podem fazer parecer. Paul está apenas protegendo a mãe de maiores preocupações, inclusive expulsando-a da casa o mais rápido possível ao articular essa falsa demonstração de tranqüilidade. Mirko não sabe, mas se Paul não o priva de seu real estado derrotado de espírito, não o priva de sua falta de sorrisos, é porque está nele confiando imensamente.
2) Ao tentar decifrá-lo na cena pós-coital (na qual expõe três possibilidades para explicar porque Paul sente necessidade de tomar banho após fazer sexo com ela), Paul sente seus modos taciturnos violados. Sim, é capaz de Anna estar certa, mas ainda assim, tentar dissertar sobre um dissabor pessoal o qual se tomou a decisão de não discutir é uma invasão. Ele tenta dar o troco, na cena em que uma pequena brincadeira de namorados evolui para uma agressiva expressão de desprezo (Paul pressiona o rosto de Anna contra seu pênis). Ela não se ofende com isso tanto quanto Paul se ofende na cena da cama: salto na narrativa e Anna continua a dançar, ignorando-o. Anna é indecifrável e Paul ressente não poder tê-la, afastando-se.
3) Entre todas as conquistas temporárias de Jonathan, as únicas mulheres que ele valoriza por darem-lhe apenas aquilo que ele exige delas, sem mais nem menos (mas será que era somente isso que elas queriam também?), está Alice, aquela com quem ele mantém um laço mais forte. De endividamento, mas vá lá. Ele a recompensa da única maneira que sabe – satisfazendo-se - e ela acata, ainda que Jonathan cheire muito mal (dois ataques ao seu ego por uma mesma garota?!) Reprise da discussão pós-coital: Jonathan não quer saber nem da dívida e nem da possibilidade de encontros furtivos com Alice na sua casa. Dois livros, antes dos filmes já mencionados: “Franny & Zooey” de J.D. Salinger e “The Love of a Good Woman” de Alice Munro.
Mediação derradeira: Temos diferentes personalidades irmanados, diferentes sexos de desejo equivalente, duas linguagens – cinema e literatura – e duas obras de cada uma delas emparelhadas. Honoré: escritor e diretor, a mesma pessoa.
Quando Jonathan/Louis ergue o livro de Salinger, “Dans Paris” assume por completo sua influência. Fica claro que Paul é a versão masculina de Franny, tendo também sua crise existencial particular na casa do pai, Jonathan é – ou descobre-se após a leitura – o próprio Zooey em busca de uma forma especial para ajudar o irmão (também perturbado pela preocupação paterna). E se Honoré estiver de fato mergulhando no universo da família Glass, a falecida irmã é, inversão do processo aplicado a Paul/Franny, a feminilização do suicidado Seymour de “Um belo dia para os peixes-banana”, ambos compartilhando da mesma fissura entre comportamento (depressivo) e personalidade (longe do deprimente). Mas o que dizer do livro de contos de Alice Munro? Qual deles Jonathan estaria lendo, melhor, tentava ler, ao que ele só tem tempo para nos erguer a capa antes de explodir numa discussão com Alice? Por que Munro e nesse momento específico? Talvez a crítica do professor Michael Gorra para o The New York Times nos sugira algumas possibilidades:
“Seu assunto sempre foram as vidas de garotas e mulheres: sua educação e seus problemas, seus ritos de passagem e a chegada da velha idade, os começos e mais freqüentemente os fins de seus casamentos, a criação de seus filhos e o ambíguo apego do passado Homens são, claro, uma parte dessas vidas e ainda assim ela quase sempre apresenta seus homens como vistos pelas mulheres, um Outro definido pela possibilidade de traição ou violência ou talvez por uma incapacidade simplesmente estólida.”
Estaria Jonathan tentando decifrar Alice? Ou tentando descobrir como é que ela o percebe? Os livros, adequadamente, são colocados na cama entre Alice e Jonathan, uma barreira, um filtro, ou, quem sabe, um tradutor. O que estaria acontecendo por trás dessa repentina tomada de consciência do olhar crítico do outro sobre mim? Cahiers du Cine-toi.
4) A irmã morta, mediando Paul e Jonathan e equivalente ao diretor Honoré na sua presença invisível. Estamos abordando a cena final, clímax dos clímax, em que o feliz e desprendido Jonathan coloca-se nos passos de seu irmão e repete seu ato suicida, igualmente fracassando (e o que o leva a tal é muito mais um ato de inocente curiosidade do que uma reação teatral aquela crítica negativa). Os dois machos não conseguiram ter o mesmo êxito das mulheres em questão, no caso, a tal irmã e Alice Munro. É digno notar que o primeiro conto, homônimo, de “The Love of a Good Woman” abre com uma longa e detalhada descrição do cadáver de um homem submerso (o método escolhido por Paul e Jonathan para o suicídio consiste-se em jogar-se de uma ponte), o que nos levaria a pensar se não seria essa fascinação de todos ao seu redor pela morte que teria levado Jonathan a desvendar essa atração, apesar de estar bastante satisfeito consigo mesmo e com sua própria vida. Para Jonathan, que é ou está feliz, o fascínio deve estar simplesmente no ato de se matar, já que aquilo que conduziu seus irmãos a tal é intangível, incompreensível. Indecifrável. Assim sendo, desarticula a tristeza da antecipação do morrer, um novo paralelismo com mais outro conto de Salinger, “Seymour – Uma introdução”.
5) Ao finalmente saltar da ponte, o desejo suicida continua ainda um mistério para Jonathan. Nesta cena, a última do filme, há uma certa reestruturação da ordem comum: uma reprise de ações anteriores (descobriremos que Jonathan não é nem um pouco negligente com o irmão como imaginávamos), o irmão mais velho volta a zelar pelo mais novo e o pai por ambos. Honoré agora presentificará-se derradeiramente entre Paul e Jonathan quando este pede àquele que lhe leia um livro infantil, da mesma maneira que costumava fazer quando eram crianças. Este território da literatura infanto-juvenil é aquele onde Honoré descobriu seu primeiro campo de excelência, especialmente por causa do sucesso de “Toutes contre Leo” (elogiado por conseguir comunicar-se infalivelmente com os leitores mirins sobre um assunto tão espinhoso quanto a AIDS), uma linguagem tão repleta de afetividade quanto aquela do antigo-novo cinema francês, calorosamente aludido, repetido, refeito. Pueril? Talvez, mas por que não? O livro (cujo conteúdo, graças a Deus, em nada metaforiza "Dans Paris" - trata-se de história um bocado singela sobre preconceito) serve de ferramenta - sentimental sobretudo, já que reinventa a intimidade fraternal há muito perdida - para que os irmãos conversem sobre a irmã, uma figura cujos traços definitivamente trágicos quase justificam, para esses pobres meninos, o seu sucesso em entregar os pontos. Talvez seja a melhor maneira de encarar as coisas, de forma infantil, uma competição a qual ela já ganhou e eles sempre correrão atrás.
Decifrar a dinâmica entre dois. Honoré encara a missão como um desafio. Antes mesmo da "apóstrofe" de Jonathan/Louis, primeira coisa que ouvimos no filme a sair da boca de qualquer personagem, nós temos uma imagem pré-filme, um pequeno trecho curioso que se dá antes mesmo do título do filme surgir nos créditos: Romain Duris e Louis Garrel, jogados no quarto, brincando com o celular, aguardando o “ação!" de seu diretor, olhando diretamente para a câmera. Essa mesma imagem, com a ressalva da mudança de figurino, retornará no pós-filme, após um pequeno trecho de créditos finais já ter indicado o final do filme, como se acusasse finalmente a derrota de Honoré: Duris e Garrel encaram a câmera novamente, o mesmo ar desafiador. Aqui, eles ganharam finalmente. Honoré humildemente acena a cabeça, aceitando o placar.
A indecifralidade não implica em nenhum momento a incomunicabilidade. Tal qual a relação de Jonathan com o grande espaço de uma Paris inteira, o relacionamento de Paul com o pequeno apartamento caracteriza-se por peculiaridades, incompreensíveis para os demais, mas que merecem maior respeito justamente pela sua unicidade. Compreendendo que não há a menor possibilidade de, como o cinema e a literatura, entre este ou aquele filme, este ou aquele livro, o relacionamento fraternal desses dois intérpretes comportarem a interferência interpretativa, impositiva, de um terceiro, Alice escuta do lado de fora da porta essa cumplicidade enigmática (que pode ser a masculina, a feminina, de casais, de irmãos, de melhores amigos, mas sempre em dupla, um casal que estabelece uma linguagem particular), presente também no turbilhão romântico entre Anna e Paul (que se conclui com mágica puramente cinematográfica), na continuidade do caso fracassado de Jonathan e Alice, entre Mirko e sua ex-esposa, e todas as permutações presentes e possíveis, a qual Alice jamais poderia ser capaz de integrar sem transformar por completo sua dinâmica ou sem ser completamente alienada. Alice não interrompe a conversa entre os irmãos, não arruína a intimidade: como uma guardiã do relacionamento, bate educadamente na porta antes de poder entrar.
"Dans Paris" França/Portugal, 2006. 98min. Direção: Christophe Honoré. Estrelando: Romain Duris, Louis Garrel, Joanna Preiss, Guy Marchand, Alice Butaud, Marie-France Pisier. Distribuidora: Imovision. Site oficial: http://www.dansparis-lefilm.com/
Fonte: Zeta Filmes
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* 8:23 AM
Velvet Underground, Sonic Youth, Cat Power e Belle & Sebastian são nomes bastante conhecidos do chamado underground musical, indie rock, alternative rock ou qualquer outra denominação que remeta a quem não freqüenta as paradas de sucesso. É aquela fatia da indústria musical que dá a sustentação para o que está na superfície e forma a parte mais longa da cauda, de acordo com a teoria do livro de Chris Anderson (editor-chefe da revista Wired, cujo livro A cauda longa teoriza sobre esta parcela do mercadomusical, tão ou mais importante do que o que está no mainstream). Pois quem diria que, em pleno mês de fevereiro, as paradas de sucesso americanas - normalmente dominadas por rappers, hip-hoppers, cantores country e demais popzices - seriam invadidas pelos quatro artistas acima descritos. E a culpa é de um filme, Juno, que emplacou sua trilha sonora no primeiro lugar da Billboard na semana passada. Um feito e tanto.
Juno, o filme, é a coqueluche independente do momento, sucesso de crítica e bilheteria nos Estados Unidos. Juno, a trilha sonora, além de ser a cara de sua personagem principal (magistralmente interpretada por Ellen Page), é responsável por apresentar ao mundo a cantora e compositora Kimya Dawson, que um dia foi a metade da dupla Moldy Peaches. Apresentar entre aspas, já que os Moldy Peaches são de 2001 e relativamente conhecidos do público consumidor desta tal cauda longa da cadeia produtiva musical.
Numa época em que o mundo estava dominado por bandas de rock como os Strokes, Kimya Dawson e seu parceiro Adam Green lançaram apenas um disco com inspiração no folk rock e entraram para a história. Sete anos depois, Ellen Page, amiga de Dawson, sugeriu seu nome para compor a trilha de Juno e uma das canções dos Peaches, Anyone else but you, não só encerra o filme, como se transformou em mais uma daqueles casos em que uma música se torna personagem da história.
Incrivelmente, o povo americano não só comprou a idéia do filme, como se apaixonou também por sua trilha sonora. Não é de hoje que música e imagem formam parcerias perfeitas na telona. Uma das últimas, a da canção The blower’s daughter, de Damien Rice, e do filme Closer - Perto demais, deixou muita gente sem fôlego e provocou uma discussão sobre os critérios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para indicar e premiar a parte musical de um filme. Muita gente já acha que trilhas sonoras que se encaixam perfeitamente no filme devem ser indicadas e premiadas, independentemente de seu ineditismo.
As regras rígidas da academia e sua incapacidade de se adaptar aos novos tempos da indústria provocaram outra polêmica este ano, envolvendo outro astro do rock. Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead, compôs a trilha sonora de Sangue negro, filme de Paul Thomas Anderson indicado a vários Oscar este ano, incluindo o de melhor filme. Considerada inovadora por muitos (o crítico Peter Travers, da Rolling Stone americana, se derreteu em elogios ao trabalho de Greenwood e disse que ele deveria ser premiado por merecimento), a peça não pôde sequer ser indicada por conter elementos que não eram inéditos. A chiadeira foi geral e respingou até mesmo em Eddie Vedder, que não teve nenhuma das canções de sua trilha para o filme O lado selvagem indicadas para o prêmio da academia.
A academia parece querer continuar na direção oposta à da indústria do entretenimento. O mercado musical mudou, os conceitos do que é inédito ou não estão bastante misturados, mas todos já se acostumaram a isso. Ao se omitirem nessas questões, os responsáveis pelo Oscar parecem querer dizer algo como “Aqui não, violão! Vocês que mudem os seus conceitos. Os nossos continuarão intactos”. Permanecendo assim, os chamados velhinhos do Oscar não só estarão mais uma vez cometendo erros históricos, como mostram não estar preparados para a mistura de formatos, mídias e linguagens que parece ser iminente à sua indústria.
Fonte: Portal Uai
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* 9:36 AM
Brasil estréia em Festival de Berlim com "Mutum" e "Dreznica"
O Brasil marcou hoje sua estréia no Festival de Berlim com a exibição do filme '"Mutum", na seção Generation. O filme da produtora carioca Sandra Kogut é uma homenagem à inocência da infância. Outra obra nacional que está no festival é o curta "Dreznica" de Anna Azevedo, uma espécie de viagem onírica pela memória, exibida fora de concurso.
Segundo a diretora, o filme fala sobre a exclusão das crianças em relação ao mundo dos adultos "que não lhes explica o que está acontecendo, embora eles possam perceber".
O pequeno Thiago da Silva Mariz, 10, se destacou como protagonista de "Mutum", filme baseado no romance "Campo Geral", do escritor João Guimarães Rosa.
O drama rural narra alguns meses na vida da família de Thiago, nome também do personagem principal, marcado por tragédias, violência paterna, a pobreza no sertão, e pelo isolamento de seu sítio em meio a terras áridas.
Kogut escolheu seu herói entre mil candidatos selecionados em escolas locais, dos quais, a maioria "não tinha visto um único filme na vida".
A câmera passeia na expressão e na ternura dos olhos do menino, que não falou mais do que quatro palavras após a projeção do filme, e deu alguns autógrafos diante da insistência dos admiradores mais jovens.
O perfeccionismo da diretora, preocupada em passar uma imagem mais verossímil possível de como vive uma família em condições extremas, a levou a escolher os 'atores' entre pessoas comuns da região e a reunir durante dois meses antes do início das filmagens, os membros da família fictícia na mesma casa em que acontecem as gravações.
A diretora explicou que, embora "Mutum" seja o nome fictício da localidade em que transcorre a ação, preferiu transformá-lo na 'pátria da infância', encarnada em um amável e brilhante estreante diante da câmara.
A brasileira Anna Azevedo apresentou também no Festival de Berlim o curta de 16 minutos "Dreznica", filmado em Super 8, que pretende descobrir como sonhamos quando sonhamos, segundo explicou à Efe.
"Dreznica é o nome de uma pequena cidade na Eslovênia, embora eu tenha dado outro significado: o do lugar imaginário onde se pode ver embora não se veja na realidade", acrescentou, afirmou Azevedo.
O Brasil encerrará sua participação no Festival de Berlim na segunda-feira (11) com o filme "Tropa de Elite" de José Padilha, que concorre pelo Urso de Ouro, e com o musical "Maré, nossa história de amor", de Lúcia Murat, que se apresenta na seção Panorama.
Fonte: Folha de SP Ilustrada
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* 12:04 PM
Johnny Depp
Endemoniado
Ator encarna barbeiro assassino em mais uma genial fábula assinada por seu amigo e diretor Tim Burton. Papel valeu-lhe a terceira indicação ao Oscar
Os cabelos desgrenhados, o olhar insano, emoldurado por olheiras profundas, e um sorriso macabro. É com essa aparência sinistra e na pele de um barbeiro assassino que Johnny Depp, 44 anos, o astro da cinessérie Piratas do Caribe (2003, 2006 e 2007), conquistou pela terceira vez uma indicação ao prêmio máximo do cinema, o Oscar de melhor ator.
O personagem em questão é o protagonista de Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, sexto filme que ele faz com o amigo e diretor Tim Burton, 49, que estréia nos cinemas na sexta-feira (8/2/2008). "Johnny e eu estamos sempre tentando ir além, e este filme, com certeza, foi uma oportunidade para esse exercício. Até porque cantar durante um filme inteiro não é algo a que estamos acostumados", comentou Burton, durante entrevista para divulgar o longa.
Soltando a voz
Sim, Sweeney Todd é um musical. E até seria natural a escolha de Depp para interpretar o protagonista. Não só pela trajetória de 17 anos de cumplicidade entre ele e o diretor. Mas pelo fato de Depp já ter formado a banda The Kids, na década de 80. "Só que na banda eu era aquele cara que cantava a melodia da música muito rapidamente e voltava para o canto do palco, para a minha guitarra. Nunca cantei uma música inteira", conta Depp. Ele diz só ter topado o papel depois que teve o aval do músico Bruce Witkin, 45, um de seus parceiros de banda, que testou sua voz num estúdio. "A voz de Johnny é muito sexy. Ele canta com muita vontade. É emocionante e cheio de alma", disse Helena Bonham Carter, 41, mulher de Burton, que contracena com Depp como a imoral e porcalhona quituteira sra. Nellie Lovett.
O resultado do esforço de diretor e ator, criador e criatura para levar para o cinema esse clássico do teatro (depois de quase 100 anos nos palcos britânicos, estreou pela primeira vez na Broadway em 1979) é sublime, poético e, por vezes, hilário, apesar do sangue que jorra na tela — aviso aos mais sensíveis. E pensar que Depp encarnou o maníaco barbeiro que cortou cerca de 160 gargantas na sombria Londres de 1846 enquanto enfrentava um drama familiar. Foi durante as filmagens de Sweeney Todd que sua filha mais velha, Lily-Rose, 8, foi internada em um hospital londrino com tétano e quase morreu. Felizmente, tudo acabou bem com a família do astro americano, que mora na Provença, França, com a mulher francesa, a cantora Vanessa Paradis, 35, e seus dois filhos, Lily-Rose e Jack, 5. Só lhe falta ganhar o Oscar. Mas isso deve ficar para uma próxima vez.
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Fonte: Revista Contigo
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* 8:32 AM
A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA de Zhang Yimou
“É como ler quando tudo é vermelho e rosa,
É como comer quando tudo é doce.”
Da canção "John 2:14", Shivaree.
Existe uma onda anti-Zhang Yimou desde “Herói”, incorporada por adeptos de uma citação que, imagino, seja do Sganzerla (algo nas linhas de: “filme de época é aquele filme que, já que não tem conteúdo, só resta ao sujeito espalhar palha e cocô de cavalo pelo cenário”). Acusam Yimou de fazer filmes carnavalescos, cafonas, ou seja, repletos de estrume. Em cima de “Herói”, a discussão fica acalorada. Em cima de “O Clã das Adagas Voadoras”, meio indiferente. É após a interminável sessão de “A Maldição da Flor Dourada” que o indivíduo pode reconhecer e admirar a rígida disciplina visual e a humildade por trás da realização de “Herói”. Aquele era um filme alheio ao hype, à especulação, o que não é o caso das incursões seguintes de Yimou no gênero de artes-marciais.
Já em “O Clã das Adagas Voadoras”, Yimou mostrava perder contato com aquilo que fazia de “Herói” tão envolvente. Passa da cinepoesia nacionalista (e o filme permanece uma das mais belas –e moralmente discutíveis – bandeiras políticas atuais) para uma cinemúsica da Celine Dion repleta de lugares-comuns e estilizações escandalosas, apoiando-se no deslumbre fotográfico para cobrir as falhas narrativas (o próprio Takeshi Kaneshiro ficou célebre por dizer em entrevista: “para mim, não fazia o menor sentido que os dois personagens se apaixonassem, mas era assim a visão de Yimou, então nós respeitamos.”) Sem conseguir funcionar enquanto narrativa poética, Yimou retornou à prancheta de rascunhos e repensou os fatores que fizeram o primeiro filme funcionar.
A despeito da coreografia das lutas (“A Maldição...” não é um wuxia pian, inclusive), ou de uma trama forte, Yimou privilegia estritamente o visual e, Jesus Cristo, o filme é o “Batman & Robin” chinês e Yimou o novo Joel Schumacher. Olhar diretamente para a tela é um desafio hercúleo e a retina precisa fazer constantes pit-stops no escuro (olhando para o sapato, o braço da poltrona, o sinal luminoso de “Saída” que fica cada vez mais atraente a medida que o filme avança) para reabastecer as energias. Me deu vontade de enfiar a cabeça contra aquele prego enferrujado na parede só para fazer a dor de cabeça parar. Com 85% do filme passado dentro do Palácio Imperial, uma orgia da direção de arte e da fotografia, o visual do filme é uma besta hípercolorida em que, apesar da predominância fascista do dourado, todas as cores possíveis são proletariamente inclusas, dispersas, sem sindicância. Nunca eu quis tanto ter um olho de vidro, portátil, retirável.
É como uma edição do Medalhão Persa gravada dentro do Chaika. Em Technicolor.
É como um Ursinho Carinhoso vomitando um arco-íris.
É como o Clóvis Bornay fantasiado de “Ave do Paraíso Psicodélica” estuprando o Joãozinho Trinta numa piscina de jujubas suspensa no alto de um carro alegórico.
Porque, apesar de visualmente insuportável, a trama do filme consegue interessar. Abandonando as filosofias de botequim chinês, “A Maldição...” tal qual o superior “The Banquet” aposta numa trama essencialmente shakespeariana: sob a Dinastia Tang, às vésperas do Festival do Crisântemo (apoiado pela Petrobrás e pela Lei Rouanet), a Imperatriz fica chocada com as notícias que seu detestado marido, o Imperador (Chow Yun Fat), retorna antecipadamente ao palácio. Ao que a Imperatriz sofre pelo amor do enteado (que deseja partir do palácio e mantém um caso com a filha do médico imperial), o Imperador conspira a morte de sua esposa, visando sua herança territorial. Os filhos do casal são manipulados pelos pais e uma grande fissura familiar ganha proporções trágicas. É um “A Guerra dos Roses” em grande escala.
“A Maldição da Flor Dourada” é apenas uma vitrine para um bando de conquistas técnicas (o maior set construído na China, a produção mais cara já realizada no país, o maior número de extras numa cena de batalha, etc.) de um país industrialmente bem sucedido. Seria até aceitável que Yimou dispensasse o excesso de cenas de lutas de artes-marciais para privilegiar o desenvolvimento dos personagens (o que não é o caso, já que são muitos e as histórias paralelas não são exploradas melhor), mas ele apenas as substitui por derivativas cenas de combates entre numerosas guardas, idênticas aos Senhores de Roscas da vida. A vida de momentos promissores como o ataque dos ninjas é podada por esse comercial sobre o potencial econômico da China. Fica chato. De Hollywood já basta uma.
Uma pena, já que o filme, em seus momentos mais comedidos, consegue divertir. Não há um personagem realmente simpático ou virtuoso em todo o elenco, transformando a trama num divertido festival de escrotice por todas as partes. Chow Yun Fat e Gong Li estão deliciosos, com atuações histéricas às proporções da produção que participam, o popstar Jay Chou se destaca como o filho-soldado e um clímax envolvendo uma surra de cinto pra fazer vovó aplaudir de pé. Infelizmente, essas qualidades não são evidentes no mar de poluição visual que violenta a tela.
O que há de reconfortante em “A Maldição da Flor Dourada” é que apesar da história intrigante, o filme é um porre. Ele nos relembra que cinema não é trama, uma historinha para boi dormir, teleteatrinho (ao contrário da impositiva mentalidade do público comercial, conformado em consumir o mesmo filme com cartazes diferentes), cinema sempre é imagem e ela precisa ser ideal. O roteiro não resiste às pressões de sua encarnação visual inadequada, a imagem erode a narrativa, o filme desaba.
Fonte: Zeta Filmes
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* 8:58 AM
Michael Schumacher pilota carruagem em novo filme de Asterix
O ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher está no elenco do filme Asterix e os Jogos Olímpicos, terceiro da série baseada no herói gaulês dos quadrinhos.
Schumacher viverá um piloto de carruagem chamado Schumix. Seu veículo será vermelho, com um escudo da Ferrari. Outros astros do esporte como o jogador de basquete Tony Parker, a tenista francesa Amelie Mauresmo, e os jogadores de futebol Zinedine Zidane e David Beckham.
O filme traz novamente o ator Gerar Depardieu como Obelix. Já o papel principal fica desta vez com o ator Clovis Cornillac.
O longa de Frédéric Forestier e Thomas Langmann é o mais caro da história da França e um dos mais caros já realizados na história do cinema. Com um orçamento de cerca de R$ 200 milhões.
O longa estréia neste fim de semana na Europa e ainda não tem previsão de estréia no Brasil.
Fonterra: Terra
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* 9:21 AM
Festival de Berlim acerta o foco na música
O Festival de Berlim, mais conhecido como Berlinale, desenrola os tapetes vermelhos dia 7 de fevereiro com o documentário "Shine a Light", dirigido por Martin Scorsese e que tem os Rolling Stones como protagonistas.
Segundo o diretor do evento, Dieter Kosslick, a escolha busca mostrar ao público jovem que os anos de ouro da banda inglesa eram de certa forma "melhores" que os atuais. A presença dos músicos está garantida, afirmam os organizadores. "Eu liguei para confirmar a presença. Eles também usam celulares", completa Kosslick, com um semblante de 'veja como é fácil levar o Mick Jagger para casa'.
Madonna também prometeu despontar nos tapetes do festival. Com estréia mundial em Berlim, o primeiro filme da cantora, "Filth and Wisdom", retrata uma banda de gypsy punk, formada por músicos do leste europeu. A banda do filme existe na vida real em Nova Iorque e se chama Gogol Bordello, tem como líder o ucraniano exótico e performático Eugene Hütz.
Tango terá lugar certo nas salas de cinema de Berlim, ao menos até o fim do festival no dia 17 de fevereiro. O filme "Café de los Maestros", do diretor argentino Miguel Kohan e produzido pelo brasileiro Walter Salles, é um dos destaques do festival.
Seguindo a lógica da diversidade musical, surgem os filmes dos EUA "Heavy Metal in Baghdad" dos diretores Eddy Moretti e Suroosh Alvi, que trata do destino de uma banda iraquiana frente à queda de Sadam Hussein; e "Patti Smith: Dream of Life", do fotógrafo Steven Sebring, documentário sobre a cantora ícone do punk que dá nome à película e intervém no filme como narradora. Consta ainda na programação "Wild Combination", a respeito do compositor de vanguarda Arthur Russell, falecido em 1992 em conseqüencia da AIDS e "Bananaz", de Ceri Levy.
Com a frase "A música pode mudar destinos", além do relato emocionado sobre a situação da infância em vários países, Dieter Kosslick anunciou os filmes que exploram a relação entre música e situação social de risco: "Divizionz", dirigido pelo coletivo da Uganda Yes! That's Us; "Tribu", do filipino Jim Libiran; os documentários alemães "Love Peace & Beatbox", de Volker Meyer-Dabisch, sobre a subcultura musical berlinense e "War Child", de Karim Chrobog, sobre o sudanês Emanuel Jal que foi criança-soldado antes de se tornar astro de hip hop.
Nesta linha também está o filme brasileiro "Maré, Nossa História de Amor", da diretora Lucia Murat, uma adaptação musical de Romeo e Julieta, ambientada em uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro.
Dando a volta no planeta música, a grande estrela dos filmes do Bollywood, o indiano Shah Rukh Khan confirmou a presença no festival para a estréia do filme "Om Shanti Om", de Farah Khan. O anúncio obrigou o festival a criar uma linha especial de atendimento ao público, já que uma multidão de devotos do astro hindu bombardearam durante dias com telefonemas e emails o escritório do festival.
Como se vê, há opções para todos os gostos dos pagantes dos 200 mil ingressos que costumam ser vendidos. A Berlinale é o maior festival de cinema em número de público do mundo.
Fonte UOL cinema
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por Daisy
* 9:19 AM